Os resultados da união

Por Ivan Ramos – diretor executivo da Fecoagro

Para nós cooperativistas deveria chover no molhado falar dos resultados da união. Afinal, se estamos integrando o Sistema Cooperativista é porque acreditamos no resultado da cooperação. Caber-nos-ia apenas trabalhar com maior eficiência, para proporcionar maiores resultados aos seus integrantes, isto é, aos associados das cooperativas.

Mas infelizmente não é bem assim. Ainda temos pessoas que ingressam em alguma cooperativa em busca de resultados individuais, imediatista. Daí a necessidade permanente de se pregar que o cooperativismo é a realização de todos, no esforço de cada um. Esse slogan foi utilizado pelo Governo Federal nos anos 70, para estimular a união e a integração.

Em SC temos diversos exemplos de sucesso das cooperativas, tendo inclusive o reconhecimento das autoridades, dos políticos e da população de modo geral. Como diz o presidente da OCESC, Luiz Vicente Suzin, em quase todas suas entrevistas e pronunciamentos: o que seria de SC sem as cooperativas?

O fato é inquestionável, a união faz a força e oferece resultados práticos. Quanto mais gente integrada, maiores os resultados. Em todos os níveis. Dos associados em cooperativas e essas em entidades de segundo grau, como por exemplo, na Fecoagro, na Aurora Alimentos, no Sicoob, no Sicredi, ou outras centrais de crédito e assim por diante.

Vamos ao exemplo da Fecoagro em 2016. Sem considerar as conquistas de qualidade e espaços no mercado em geral; nem os trabalhos de centralização de compras que economizou mais de R$ 20 milhões às cooperativas; nem os trabalhos de comunicação e difusão do cooperativismo; destacamos apenas a indústria de fertilizantes.

O mercado de adubos em 2016 foi complicado no Brasil. Não apenas teve redução de preços na origem internacional, pegando a indústria local no contrapé nos custos, como tivemos a flutuação permanente do dólar, e isso implicou em redução dos resultados, mas mesmo assim o ano foi positivo.

Aumentamos o volume de produção da fábrica, muito embora não tivéssemos atingido o planejado em sobras. Foram processadas nas fábricas 326 mil toneladas. Com exceção de duas cooperativas filiadas, todas as demais comercializaram acima das suas quotas na indústria da Fecoagro, enquanto que do total dos seus negócios, com fertilizantes, as cooperativas ampliaram em quase 100 mil toneladas em comparação com ano anterior.

Nas fábricas da Fecoagro aquelas cooperativas que prestigiaram a união tiveram retorno expressivo. Foram mais de 5 milhões de reais devolvidos. Dependendo da participação de cada uma, chegaram a ter retorno de mais de R$ 50,00 por tonelada adquirida. Em termos de valores, a que menos ganhou de volta, chegou a 3,5 por cento sobre os volumes comercializados. Esse número em fertilizantes é muito expressivo.

Perguntamos: alguma outra empresa de fertilizante está devolvendo alguma coisa às cooperativas? Isso é milagre? Não, é resultado da união, da integração, da intercooperação. A Fecoagro vendeu às cooperativas apenas 166 mil toneladas, das 430 mil toneladas que elas comercializaram em 2016.

Se tivesse maior participação, certamente o resultado seria maior. E porque não foi maior? Dizem que foram os preços, à época de venda e outras desculpas mais. Isso tudo pode ter acontecido, mas o principal motivo foi o imediatismo, o individualismo, a falta de união, de integração.  Cabe a quem comprou fora, comprovar aos seus associados, que ganharam mais do que os preços que a Fecoagro está devolvendo agora como retorno. Pense nisso.